sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Baturité - Secas, Enchentes e Escravos (Serra do Evaristo)

É impossivel que a origem dos que moram na Serra do Evaristo tenha sido um quilombo. Inicialmente a serra chamava-se Castelo, devido pertencer a uma rica familia da região. Também sua localização testemunha contra ao que estão a afirmar, é facilmente vista pelas regiões circunvizinhas e não tem e nem tinha abundância de alimentos e especialmente água.

Pesquisas históricas também mostram esta impossibilidade, senão vejamos:

1775 - Grande Inverno.
1776 - Grande Inverno.

1777 - Seca.
1778 - Seca. - Em consequencia reduziu-se a oitava parte o gado da Capitania.

1782 - Grande Inverno, causou muitos prejuízos.

1789 - Grande Inverno.

1790 - Seca.
1791 - Seca.
1792 - Seca.
1793 - Seca. - Houve peste de varíola. Indios morreram ou fugiram para o interior do Piaui e ou Maranhão.
                       Matou quase todo o gado do sertão.

1797 - Grande Inverno, calamitoso fez perder todas as lavouras.

1804 - Seca.

1805 - Grande Inverno, grandes danos a agricultura.

1809 - Seca.
1810 - Seca.

1817 - Seca.

1819 - Grande Inverno.

1825 - Seca. Fome e peste fizeram a população emigrar em proporções espantosas. Forçaram-na também  ao roubo e ao assassinato.

1826 - Grande Inverno.

1828 - Seca.

1832 - Grande Inverno.

1837 - Seca.

1842 - Grande Inverno.

1845 - Seca. O Governo e as Provincias vizinhas enviaram algum socorro, os quais chegaram um pouco tarde.

1877 - Seca. – Novamente, o flagelo atingiu o sertão. A pecuária foi severamente atingida, Segundo Thomaz Pompeu, no Ceará o gado ficou reduzido a 1/8. Fazendeiros que recolhiam 1.000 bezerros não ficaram com 20 nos anos seguintes.
                        Os efeitos da seca, fome, cólera, febre amarela, varíola e devido ao desequilíbrio ecológico: praga de cascáveis.
                        A miséria reinante e o alto preço do café no sul do Império, exagerou o valor dos escravos e produziram espantosa exportação deles.

1878 - Seca. - A Igreja de Santa Luzia de Baturité foi inaugurada em 07/09/1879. Sua construção foi iniciada na grande seca de 1877/1878 pelo Governo Imperial como obra de assistência aos flagelados.
                       O Prédio da Prefeitura Municipal de Baturité, teve sua construção iniciada em 1878, como obra de assistência aos flagelados. Assim como também o prédio da Cadeia Pública.
                       Milhares de cearenses acabaram forçados a emigrar para o Amazonas. Só de janeiro a junho de 1878, pelos portos de Fortaleza e Aracati, cerca de 35.000 deixaram a Província, a maioria para a Amazônia. O próprio Governo estimulava a emigração ao distribuir as rações dos flagelados e pagando passagens.
                       Em Baturité, a população dobrou com a chegada de flagelados de todas a resgiões da Provincia. Infelimente devido a fome e as doenças, pelo menos a metade morreu. Era comum naqueles dias, encontrar homens bancos e escravos mortos pela fome na porta do cemitério. Ainda assim a Câmara foi acusada de não só se desinteressar dos problemas dos flagelados – chegando a demitir o médico que cuidava dos pobres, como também de aumentar os salários dos seus funcionários.
                       Morreram no Ceará cerca de 200.000 de 1877 a 1880.

1879 – Seca.

1880 - Seca.

25/03/1883 - Abolição dos Escravos em Baturité.

1888 - Seca - O Governo Imperial constrói a estrada Baturité a Conceição (Guaramiranga), usando a mão de obra dos flagelados da seca.

1898 a 1900 – Seca.

Francisco Inacio Homem de Melo

No ano de 1856, o então Presidente da Província do Ceará, Francisco Inácio Homem de Melo, ao passar pelas terras serranas de Baturité, escreveu em suas memórias:

“Atravessei diversas fazendas, muitas delas importantes. Não havia ali escravo. Homens bravos, bem conformados, sadios, mostrando em seus movimentos a dignidade de um ente livre, apareciam-me por toda a parte, executando, com desembaraço e alegria, os diferentes trabalhos da Lavoura”.

E acrescenta:

“Estas terras rateadas com tanto cuidado, brotando do seu seio os tesouros da abastança, não recolheram uma lágrima, nem ainda o sangue do escravo as tornou para sempre estéreis”. (Francisco Inácio Homem de Melo, Tricentenário da vinda dos primeiros portugueses ao Ceará (1603-1903) Fortaleza Ceará).
(Franklin Távora e o seu Tempo, por João Aguiar, páginas 26 e 27). (História Baturité, época colonial – Vinicius Barros Leal – Séc. Cultura e Desporto, 1981).

Manoel Joaquim de Araújo

Manoel Joaquim de Araújo – 16/01/1838, a Câmara Municipal desta Vila de Monte Mor Novo concede por aforamento 140 braças de terras na beira do rio Putiú.
Confinantes: da parte do nascente no poço denominado Gonçalo da parte baixa e da parte do poente na passagem do rio na estrada que segue para Bananeiras em uma serra grande que tem para o Norte com Antonio Paz Mocó.
Secretário da Câmara Municipal: Gonçalo Ferreira Jardim.

Antonio Ricardo da Silveira Bravo Suçuarana

Antonio Ricardo (da Silveira) Bravo Suçuarana – 25/05/831, a Câmara Municipal desta Vila de Monte-Mór o Novo da América concede por aforamento de enfiteuses 50 braças de terra de seu patrimônio na margem direita do Rio Aracauaba.
Confinantes: pela parte de cima com o sitio do Capitão Luiz Antonio Correia Pinto e pela parte de baixo com o sitio do Juiz de Paz João Bizerra de Albuquerque.
Fiador: Manoel Joaquim Murta. Secretário da Câmara Municipal - João Gomes Brazil.

Sitio Caridade

7
Ferr.a
Termo em que se declara ter a Camara M.al desta Villa concedido por aforamento a Francisco da Silva Caridade cem braças de terra secca na ladeira nova, que segue para o Commum

Aos nove dias do mez de janeiro de 1836 concedeo a C. M. desta Villa por aforamento de enfiteuses a Francisco da Silva Caridade cem braça de terra secca na Ladeira Nova, que segue para o Sitio Commum, estremando pela parte de cima com os fundos de terra de Juvenal Pereira no assëro de hum rossado deste, que finda ou encosta em hum riaxo, chamado sedro, que he o primeiro que passa-se, vindo-se de ladeira a baixo, da parte debaixo extrema em outro Riaxo, que hé também o primeiro da morada do foreiro para baixo, com fundos, que sem offensa a outros foreiros, por Lei lhe corresponderem, ficando obrigado a pagar annualmente mil reis, a braça a dez reis. A qual terra poderá possuir por si e seos descendentes, e vender as bemfeitorias com licença da Camara, sem que esta em tempo algum se possa apossar do dito terreno, huma vez que o dito foreiro a beneficie e cumpra com as obrigações de rendeiro, sendo huma delas a de alimpar as estradas publicas, que passarem pelas terras de seo aforamento. E para constar fis este Termo, em que assignou dito rendeiro e fiador. Eu Simplicio José da Silva secret.o. escrevi.

Antonio Ricardo B. Suçuarana

A rogo do Rendeiro Francisco da Silva Caridade
João Carlos da Silv.a.

sábado, 25 de dezembro de 2010

PADRE RAIMUNDO FRANCISCO RIBEIRO

Aos vinte cinco dias domez de Janeiro de mil oito centos Setenta ehum, me foi aprezentada huma petição despachada pela Camara concedendo ao Reverendo Vigário Raimundo Francisco Ribeiro oitenta palmos de terreno na praça da matriz desta Cidade em seguimento a caza de Manoel Duthra de Souza assipa a rezidencia do Supp.e, cujo terreno foi medido pelo Cordiador da Camara como consta da Certidão que é do theor seguinte. Certifico que cordeei oitenta palmos de terreno na rua do Ruzario na quina que faz face com a praça da matriz – desta Cidade, dita face coresponde com o Sobrado de João Baptista de Menezes, ebêco, dito terreno pertence ao Reverendo Vigário Raimundo Francisco Ribeiro. Cidade de Baturité 24 de Janeiroo de 1871 =Eu Salvador Jozé daCosta Cordiador. Ficando oforeiro obrigado as leis epusturas do que para constar passo aprezente em que me assigno com o foreiro perante as testemunhas assignadas. Eu Cícero Antonio d’Oliveira Secretario escrevy.

P.e Raimundo Francisco Ribeiro

PEDRO JOSE CASTELLO BRANCO

Termo de afforam.to que assigna Pedro Joze Castello Branco, de secenta palmos de chao.

Aos vinte oito dias do mes de Abril de mil oito centos e secenta, a Camara Municipal desta Cidade concedêo novamento o afforamento de secenta palmos de xao na Rua do Rio Aracauaba a Pedro Jozé de Castello Branco, para o mesmo irigir úma caza, no dito terreno, oqual é onde tem de ficar beco que faz face com afeira, promettendo oforeiro acima rifirido emtudo cumprir as posturas d`esta Municipalid.e doque p.a constar lavrei opresente Termo no q.l asigna o foreiro, Eu Simiao Telles de Souza Secretario o escrevy.

PedroJoze de Castello Branco

ANTONIO PINHEIRO CASTELLO BRANCO

Termo de afforam.to que assigna Joze Antonio Pinheiro de 40 palmos de xao.

Aos vinte seis dias do mes de Janeiro de mil oito centos e secenta, a Cam.a Municipal desta Cid.e concedêo por afforam.to quarenta palmos de xao a Jozé Antonio Pinheiro, p.a irigir ua caza na Rua Nova do Curral, abaixo do terreno de Fran.co Per.a da Silva, promettendo oforeiro acima emtudo cumprir as posturas d`esta Municipalid.e doque p.a constar lavrei opresente Termo no q.l assigna o foreiro, Eu Simiao Telles de Souza Secretario o escrevy.
= Arogo de Meo Pai o S.nor J.e. Ant.o Pinheiro
Antonio Pin.ro Cas.lo Br.co (Antonio Pinheiro Castello Branco)

MARÇAL GOMES DA SILVEIRA

Termo de afforam.to que assigna Marçal Gomes da Silveira de 60 palmos de xao --

Aos vinte seis dias do mes de Janeiro de



mil oito centos e secenta, a Cama Municipal desta Cid.e concedêo por afforam.to secenta palmos de xao a Marçal Gomes da Silveira, para irigir caza, cujo terreno é na Novao, promettendo oforeiro acima emtudo cumprir as posturas d`esta Municipalid.e doque para constar lavrei opresente Termo no qual assigna o foreiro, Eu Simiao Telles de Souza Secretario o escrevy.

Marçal Gomes da Silv.a

RAIMUNDO CICERO SAMPAIO

Termo de aforamento que assigna Raimundo Cícero Sampaio de 40 palmos de chão.

Aos quinze dias Digo aos catorze dias do mes de janeiro de mil oito centos e cincoenta e oito, concedeo a Camara Municipal desta Villa por aforamento corenta palmos de chão na rua que fica por detrás do Rozario a Raimundo Cícero Sampaio para edificar huma morada decazas, cumprindo oforeiro em tudo as Posturas desta Municipalidade, Epara cosntar fiz este Termo no qual assignou o foreiro e Eu Antonio Candido de Souza Secretario interino o escrevy.
Raym.do Cycero Sampaio

JOSE PACIFICO DA COSTA CARACAS

Termo de aforamento que assigna Jozé Pacifico da Costa Caraca de Corenta palmos de chão.

Aos doze dias do mes de janeiro de mil oito centos e cincoenta e oito, concedeo aCamara Municipal desta Villa por aforamento Corenta palmos de chão na Rua do Comercio sendo no mesmo Lugar aonde se havia aforado trinta palmos a Antonio Raulino de Moura o qual fez doação e aforacao a Joze Pacifico da Costa Caracas para edificar huma morada de cazas cumprindo o foreiro em tudo as pusturas desta Municipalidade, e para constar fiz este Termo no que assignou o Foreiro e eu Antonio Candido de Souza Secretario Interino escrevy.
Jozé Pacifico daC.ta Car.a

JOSE CORREIA LIMA

Termo de aforamento que faz a Camara Municipal da Villa de Baturité de trinta palmos de xao a Jozé Correia L.a

Aos vinte e oito dias do mes de Novembro de mil oitocentos e cincoenta e cinco, me foi entregue uma petição para passar uma escriptura de aforamento, despachada pela respectiva Camara, na qual concedia, trinta palmos de terreno a Jozé Correia, na Rua do Genipapeiro, contíguo a caza de Francisco J.e do Valle, para dito Correia Lima edificar uma morada de caza, sujeitando-se ommo a cumprir e guardar suas pusturas, do que para constar lavrei este termo em Escriptura no qual o foreiro asiga e Eu Luis Francisco de Oliva Brito. Secretario o escrivy.

Joze Cor.a Lima

Gonçalo Gomes da Silveira

Aforou o Captm Gonçalo Ges. da Silv.a 32 palmos no oitão da caza que foi de Ignácio Lopes Barr.a







Barreira, digo são de Ant.o Ricardo Bravo Susuarana
Baturite 13 de Julho de 1835
O Secreto Mença.

Sitio que pertenceu a Antonio Benicio Saraiva Leão Castello Branco

88
Ferr.a

Sitio Benicio – Hoje Salesiano

Termo de aforamento eEscriptura de Inphiteuzes que faz a Camara Municipal da Villa de Baturité de trezentas e seis braças de terras no Rio Putiú ao Ten.e Cor.el Hermenegildo Furtado de Mendonça e Menezes.

Aos vinte cinco dias do mes de Abril de mil oito centos cincoenta esete, concedêo a Camara Municipal d’esta Villa por aforamento trezentas eseis braças de terras no Rio Putiú ao Tenente Coronel Hermenegildo Furtado de Mendonça e Menezes, estremando para o Nascente na passagem do Rio Putiu, d’onde corta rumo a um lageiro que tem atras da casa de Joze de Souza e d’ahi aum tôco de Cajazeira que tem aopé de serrote comprehendendo uma eoutra parte do Rio, para o Sul com os fundos correspondentes e para o Norte na beira daestrada que segue d’esta Villa, para o Puente com Dona Julia em um pé de cajueiro que tem na varze, para o Norte na beira da estrada que segue d’esta Villa, para o sul com fundos correspondentes, cujas terras puderá oforeiro acima rifirido pussuir por si, e seus herdeiros, ficando obrigado apagar oforo competente, e cumprir as pusturas d’esta Municipalidade. Epara constar fis este termo em Escriptura de Inphiteuzes na qual a asignou o Padre Raimundo Francisco Ribeiro procurador do foreiro. e Eu Simião Telles de Sousa, Secretario o escrevy .
Padre Raim.do Francisco Ribeiro
Dei Copia
Sousa

João do Rego Falcão Jr.

86
Ferr.a

Termo de aforamento e Escriptura de Inphiteuzes que faz a Camara Municipal da V.a de Baturité, de cem braças de terras seccas, a João do Rego Falcão Junior.
100 braças

Aos quinze dias do mês de julho de mil oito centos cincoenta esete, mifoi entregue uma pitição de João do Rego Falcão Junior já dispachada pela Camara, emque mostra na Certidão do Cordeador do Município, ter elle incordeado, e intregado cem braças de terra seccas que siachavão de volutas na Serra do Joze Ignácio principiando e midicao deonde findou o terreno já aforado pelo sup.e, epelo mesmo riacho abaixo ate otalhado, os quais a Camara Municipal desta V.a, concedêo por aforamento de Inphiteuze, promettendo oforeiro cumprir as pusturas desta municipalidade, cujas cem braças de terras poderá oforeiro acima riferido possuir por si, e seus herdeiros, ficando obrigado apagar oforo competente, e as pusturas desta Municipalidade. Epara constar fis este termo em Escriptura de Inphiteuzes na qual a asignou o foreiro. e Eu Simião Telles de Sousa, Secretario o escrevy .

João do Rego Falcao J.r

Dei Copia
Sousa = Secret.o

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estrada do Candéia com saída para Acarape(Redenção)

Sessão da Câmara de 12/12/1830 - O Senhor Castello Branco fez a seguinte indicação: Proponho que se abra ua nova estrada para a Capital da Província visto estando em distância de quatorze légoas a atual estrada obriga se andar vinte e seis. Tem se já feito as indicações precisas talvez porém com o meter se mãos a obra é natural que se conheça ainda mais vantajem que a que se imagina, mais quanto e de maior utilidade já se pode conhecercom a simples narração da direcção que se deve tomar, pois não pode poupar menos que oito légoas de caminho. Portanto, proponho que se tire ua estrada em linha recta do tombo da serra que temos em frente para o lado do Candéia e que dahí vá em linha recta para o Riachão do Panta e depois siga pella planice que fica entre a serrinha dos Criôlos e a serra do Logola e vá ter ao Acarape de sima donde deve em seguimento ir ter ao Ubú e seguir sempre plana até a cidade de Fortaleza. Tudo está fallando a favor desta nova estrada porque também evita os rios que no inverno vedão os passos aos passageiros e negociantes e correios e lhes fornece melhores e mais abundantes águas para os misteres da vida e dos Transportes, finalmente a sua utilidade não precisa ser sustentada por argumentos mui principalmente perante a Câmara Patriota. Monte Mór 10 de dezembro de 1830. Manoel Felipe Castello Branco

A vista da indicação do Senhor Castello Branco acordou-se em mandar fazer a sindicação precisa para se conhecer se pode ou não abrir a nova estrada e que vantagens offerece.

Offereceu-se o Senhor Castello Branco para ir pessoalmente fazer esta indagação com duas ou trez pessoas, fazendo a Câmara a dispeza com as sobreditas pessoas.

Acordou-se em asseitar o oferecimento gratuíto do Senhor Veriador e que elle procurasse pessoas que mais convenientes achasse para o dito fim ficando a Câmara sujeita a satisfazer as dispesas que fizesse com o guia e trabalhadores.

domingo, 11 de abril de 2010

Leonardo Castelo Branco - Herói da Batalha do Genipapo

Obs: A Familia Castelo Branco do Ceará é originária de 2 Portugueses: do Piauí de Francisco da Cunha Castello Branco e do Ceará de Matias Pereira Castello Branco.
Abaixo, transcrevemos a biografia de Leonardo Castelo Branco, Piauiense, descendente direto de Francisco da Cunha Castello Branco.

Marcus Silveira Castelo Branco.


Leonardo Castelo Branco.

Para se falar de Leonardo Castelo Branco tem-se que retroceder na história até século XVIII pesquisando-se por diversos historiadores que mostram divergências, não sendo o momento agora propício para essa análise, porém se conclui que o estudo da história e da genealogia não é obra acabada.

No livro: "A mística do Parentesco" do escritor e amigo Edgardo Pires Ferreira , no volume 4, encontramos que Leonardo é descendente do patriarca da família Castelo Branco no Brasil, o português Francisco da Cunha Castelo Branco que viveu e faleceu em São Luiz do Maranhão, tendo sido Capitão de infantaria do exército português. O autor cita ainda que mesmo sem documentos em cartórios, em 1700, este português recebeu uma sesmaria em Sto. Antonio do Surubim , hoje Campo Maior.

Leonardo, segundo o escritor Herculano de Moraes em seu livro: "Visão Histórica da Literatura Piauiense", 1ª edição,1997 diz:
"nasceu em 1788 na Fazenda Limpeza, na época pertencente à Vila de São João da Parnaíba, mais tarde integrada à Freguesia de Barras e , hoje, incorporada ao patrimônio do município de Esperantina".

Ao nascer recebeu o nome de Leonardo de Carvalho Castelo Branco. Era filho de Miguel Carvalho, fazendeiro e agricultor, e de Dona Anna Rosa Clara Castelo Branco. A mãe dele era sobrinha de seu pai sendo filha de Anna Rosa Pereira Tereza do Lago (tia de Leonardo).

Pelo casamento dos pais de Leonardo se constata a junção das famílias Castelo Branco e Carvalho, no Piauí.

Herculano diz ainda sobre Leonardo:" seu avô paterno, o Capitão-Mor Antonio Carvalho de Almeida, português da Vila de Linhares, foi o primeiro habitante do lugar que se transformaria no município de Batalha...

Desbravador, em 1706, deixa o local e constrói casa no outro lado do rio fundando ali a fazenda Taboca". Mais tarde, em 13/07/1739 seu filho Miguel de Carvalho e Silva (o pai de Leonardo) sendo legítimo herdeiro recebe o Sítio Boa Esperança com a fazenda Taboca.

Casou-se Leonardo com Judite da Mãe de Deus e, na Fazenda Limpeza, onde construiu casa e viveu com seus 9 filhos. Essa casa sucumbiu devido o abandono de seu proprietário que se dedicou as causas políticas.

A família de Leonardo foi constituída de grandes fazendeiros e de notáveis intelectuais e poetas tendo ele vivido em ambiente propício ao encontro das letras e cultivo das artes. O pai de Leonardo, Miguel de Carvalho, foi educado em colégio de Jesuítas tendo, dessa forma, repassado aos filhos uma educação humanística. Leonardo aprendeu português, latim, geografia, física e matemática.

O ambiente físico vivido por Leonardo é comentado por Herculano que diz: "viveu a paisagem humana e natural de suas nascentes, conheceu cada palmo do meio ambiente onde nasceu e viveu a geografia física do meio, a psicologia do caboclo".

Como se observa, Leonardo teve de um lado, um ambiente familiar, entre intelectuais e poetas; do outro, um ambiente ecológico cheio de plantações e gado, acrescidos pela convivência do homem trabalhador do campo, "o caboclo", sendo motivos suficientes para que ele tivesse desenvolvido sua tendência de escrever, de fazer poesias e prosas.

Analisando bem essas influências na mente de Leonardo, o escritor João Cabral, um dos primeiro historiadores literários, em seu livro "A visão Poética na Literatura Piauiense" comenta: "vê-se que a natureza privilegiada influiu decisivamente na formação daquela mentalidade ardente e caudalosa".

Leonardo aparece sempre junto a seu amigo Ovídio Saraiva em críticas de análise de historiadores que mostram como participantes do 1º período literário formado por uma geração cognominada de literatura popular e de terra com marca trovadoresca. Eram quase da mesma idade e tinham em comum: a origem portuguesa; nasceram ambos na Vila de São João da Parnaíba; tendências a liderar os que se consideravam libertinos e injustiçados; convivência com mocidade barulhenta e cheia de muita energia.

Tinha Leonardo 20 anos, na época em que o arcadismo sofria mudanças estruturais devidos o surgimento de uma nova filosofia que queria de volta a literatura de gregos e latinos.

A obra principal de Leonardo foi "A criação Universal", publicada no Rio de Janeiro em 1856 contendo 4.247 versos repleto de informações sobre mecânica e astronomia onde o autor, filosofando, tentou explicar investigações científicas para solucionar o problema do motor contínuo. Foi considerado o primeiro poeta brasileiro a fazer experiências de linguagem científica na poesia devendo isso a seu espírito criativo.

Essa obra é considerada como religiosa e explicativa das coisas do mundo nos deixando perceber a mente do autor voltada para um pensamento além dos chamados olhos d'alma a descrever o momento transcendência de sua própria alma que filosofando reconhece que existe o infinito e o plano do Divino Mestre. Talvez tenha escrito após conversa com Deus, em momento que se escuta o invisível no visível.

Escreveu outras obras menores, como: "Monólogo", poema que retrata o sentimento por liberdade diante do grito da Independência; e mais ainda "O ímpio confundido" e o “Santíssimo Milagre".

De um modo geral, Leonardo sofre, duras criticas de historiadores que dizem que ele não tinha qualidades de poeta e prosador e que sua obra foi publicada fora do Brasil.

Finalmente, João Pinheiro apresenta uma justificativa e diz: "a época em que foram publicados os Poemas de Ovídio Saraiva e a Criação Universal de Leonardo Castelo Branco, não havia literatura no Piauí, nem a menor possibilidade disto, em virtude de quase inexistência de escolas, jornais, bibliotecas e até mesmo de leitores".

Por que então quanta exigência em analisar o poeta e prosador?

Ainda bem que Herculano após estudos procura encontrar as virtudes comentando: "Leonardo o primeiro poeta brasileiro a tentar a poesia científica, escrevendo um longo poema, à moda dos épicos, aculubrando sobre o movimento de rotação da terra, a viela dos astros e sua influência no comportamento humano, a criação do homem e de Deus".

Além de poeta e prosador, Leonardo teve seu nome na história devido seu posicionamento político. Foi um homem notável pela sua rigidez de caráter e grande inteligência tendo vida atribulada e aventureira.

Na condição de homem destemido e possuidor de grande liderança tentou expandir o movimento da Independência do Brasil e esteve a frente da Batalha do Jenipapo em 1823, em Campo Maior, na qual morreram muitos brasileiros. Nessa ocasião, comandou verdadeira tropa em direção à Caxias do Maranhão levando criadores, fazendeiros, agricultores, domésticos desocupados e alguns soldados indo contra os objetivos Fidié.

Foi preso e levado para São Luiz - Maranhão e mais tarde transferido para Limoeiro em Portugal.

A vida é mesmo contraditória. Leonardo lutou contra injustiça ao seu povo e foi preso injustamente. Ele perdeu tudo aquilo que tanto batalhou para oferecer ao homem do campo: o aconchego familiar, o trabalho e a liberdade.
Entretanto, Leonardo foi homem de muita fé e com ações voltadas para Deus.

Seu espírito revolucionário talvez seja uma consequência da não aceitação da injustiça ao "caboclo", homem do campo com quem conviveu logo tempo tratando a todos com humanidade. Via a injustiça como algo desumano.

Desconhece-se alguma atitude dele contrária ao Bem.

No meio do sofrimento, como prisioneiro, soube recorrer à proteção de Nossa Senhora das Dores e prometeu-lhe quando liberto, mudaria o nome em sua honra e assim cumpriu, Quando recebeu a liberdade, com 35 anos, passou a chamar-se Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco.

Em 1833, após período de agitações políticas deixa o Piauí e vai estudar, em Lisboa, mecânica e astronomia onde dedicou-se a construção de um mecanismo de moto-contínuo tentado anteriormente por outro cientista. Apesar de ter estudo 10 anos, não recebeu nem um diploma o que lhe prejudicou muito quando voltou ao Brasil.

Morreu em 12/06/1873, com 85 anos, em Barras, no sítio Barro Vermelho sendo considerado um herói e o principal revolucionário da Batalha do Jenipapo.

OBSERVAÇÕES: Leonardo Castelo Branco é Patrono da Cadeira Nº 33 da APAL - Academia Parnaibana de Letras , ocupada por Yeda de Moraes Souza Machado a partir de 06/10/2009.
yedamsm
Publicado no Recanto das Letras em 21/09/2009
Código do texto: T1822031.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ESCRITURA SITIO SÃO LUIZ - PACOTI

Escriptura publica de compra e venda que fazem o Capitão José Alexandre Castello Branco e sua mulher do Sitio São Luiz em cima da serra deste Termo e mais partes que comprarão do negociante Luiz Ribeiro da Cunha e sua mulher do Sitio Santa Anna que houverão por herança de seo finado pai e sogra e compra de diversos herdeiros, e de Manoel Gomes Barreto e sua mulher, Dr. Virgilio Augusto de Moraes, ao Coronel João Castello Branco, como abaixo se segue:
Saibão quantos esta virem, que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e sessenta e nove, aos vinte e oito dias do mês de janeiro do dito anno, nesta cidade de Baturité, da Província do Ceará, em meo cartório foram presentes partes justas e concertadas, estipulantes e acceitantes, a saber como vendedores o Capitão José Alexandre Castello Branco e sua mulher Dona Francisca Alexandrina Castello Branco, representados por seo bastante procurador, o Dr. Virgilio Augusto de Moraes, e de outra comprador Coronel João Pereira Castello Branco, conhecidos de mim Tabellião e das testemunhas abaixo assignadas, do que dou fé e pelo sobredicto procurador foi dito perante as mesmas testemunhas, que seos constituintes são senhores e possuidores do Sitio Cana Brava, e hoje conhecido e denominado São Luiz, com todas as bemfeitorias n’eles existentes, digo, com todas as bemfeitorias n’elle existentes e mais partes annexas, do Sitio Castello que foi dos herdeiros de Mathias Rodrigues de Andrade, de Manoel Gomes Barreto e sua mulher, do Sitio Santa Anna que houverão por herança de seos finados Pai e sogros, José Victoriano Nogueira e sua mulher, e compra a herdeiros destes, exescp, digo, exceptuando somente tais partes dos herdeiros Raimundo Carlos de Albuquerque e orphãos, Luiz e Francisco, o qual extrema pelo Nascente com o comprador, herdeiros sobredictos Raimundo Carlos de Albuquerque, orphãos, e Belisario Barrolo digo, Belisario Barroso de Souza; pelo poente com Sitio Bilro, na divisão das agôas, subindo pelo riacho ate um jucazeiro e deste com a ponta da Serra em matta com o sitio que foi de Manoel Gomes no oitão da casa de José Bento, rumo direto ao rio e rumo direto ao cume do alto na divisão das agôas, pelo rio abaixo de um só lado até a passagem dos Nobres, para o Sul, e dahi uns pés de larangeiras, na divisão das agôas; e para o Norte com Bernardino José Pereira Pacheco e mais outro = mas conhecidas e constantes das respectivas escripturas que são entregues ao comprador, cujo sitio e partes e mais bemfeitorias n’elles constantes vendem como de facto vendido tem de hoje para sempre ao Coronel João Pereira Castello Branco pelo preço e quantia de treze contos de reis Importância que nesta data receberão em lettras que se acharão a dever ao mesmo comprador e desde já lhe darão quitação de pago para mais em tempo algum lhe ser pedido digo, lhe não ser pedido por si ou por seos herdeiros e todos jus, do mesmo, posse, Senhorio, e Servidão activa e passiva que em dicto Sitio, partes e bemfeitorias tinhão, traspassam ao comprador , portanto d’elles tomar posse, por si ou por autoridade de justiça e caso a não ser constituir possuidores em seo nome, podendo portanto possuil-os como seo que é, e fica por bem desta, e fica sendo por bem desta, e que seus constituintes promettião mais em todo e qualquer tempo a fazer venda firma e valiosae a defenderem ao comprador as chamar as authorias: e logo me apresentou a procuração do theor seguinte: Numero dois Reis Duzentos. Pagou Duzentos reis de sello. Baturite vinte e oito de janeiro de mil oito centos e sessenta e nove. Thaumaturgo. Procuração bastante o Capitão José Alexandre Castello Branco e sua mulher Dona Francisca Alexandrina Castello Branco. Saibão quantos este publico instrumento de procuração bastante virem que anno do Nascimento de Nosso senhor Jesus Christo de mil oito centos e sessenta e nove aos quatorze do mez de janeiro do dicto anno, neste Sitio de Sant’Anna do termo de Baturité, da província do Ceará, e casas do Capitão José Alexandre Castello Branco, onde eu Tabellião cim e sendo ahi presente o mesmo Castello Branco e sua mulher Dona Francisca Alexandrina Castello Branco, conhecidas de mim Tabellião e das testemunhas abaixo assignadas e perante as mesma disserão que constituíão seos procuradores ao dr. Virgilio Augusto de Moraes e Manoel Rodrigues Monteiro para especificamente assignarem escriptura de venda do Sitio São Luiz, ao Coronel João Pereira Castello Branco com todas as bemfeitorias que n’elles digo, qn’elle se acharem pertencentes a elles outorgantes; as partes do Sitio Sant’Anna que houverão por herança de seos finados pais e sogros, e compras, excepto três partes dos herdeiros Raimundo, e dois orphãos, comprehendendo no Sitio São Luiz as partes que forão dos herdeiros de Mathias Rodrigues de Andrade e Manoel Gomes Barreto e Sua mulher, cujas extremas constão das escripturas de compra e nota dada por elles outorgantes: concedo-lhe os poderes quanto em direito se requer para que em nome d’elles outorgantes como se presente se presente fossem, possão em qualquer Juízo ou Tribunal deste Império ou Reino estrangeiro defenderem e requererem Todas sua justiça, em Todas suas causas, tanto cíveis, como crimes, em que forem autores ou reos, portanto tratar dos termos de conciliação com qualquer pessoa que seja, para cujo fim lhes conceder os mais amplos e illimitados poderes: fazendo citar, demandar, penhorar, offerecer acções, artigos, libellos, embargos, recepções, contrariedades, provas, por suspeição, inquirir, contestar e reperguntar testemunhas, jurar decisória ou suppletariamente n’alma d’elles outorgantes e feixar esse juramento n’alma das partes parecendo-lhes, assignar os termos e autos necessários, protestos, contra-protestos e requerimentos, appelar, aggravar, embargar, interpor recursos de revista e tudo seguir até mor alçada; substabelecer esta, ou usar d’ella, revogar os substabelecimentos e fazel-os de novo, quantas vezes forem necessárias, podendo ficar com os mesmos poderes, e usar d’elles conjunctamente com as substabelecidas que também poderão substabelecer em outras, assignar termos de confissão, negação, louvação, desistência e composição, tirar sentenças, requerer sua execução, requerer inventário, assistir partilhas, requerer prisões, seqüestros, arrematações, adjudicações, licitações, solicitações, lançar nos bens do devedor e d’elles tomar posse, requerer precatórias com embargos de terceiros e jural-os; variar de acções, intentar outras de novo, ajuntar documentos e tronal-os a receber, receber dinheiro de quaisquer cofres, thesourarias, depósitos, bancos, e requerer finalmente todo seo direito no juízo eclesiástico em qualquer alçada; reservando somente para si a nova citação. E tudo o que fizerem de atos seos procuradores se substabelecitus in solidum promettem haver por firme e valioso por suas pessoas e bens. Assim a disserão, sendo testemunhas os abaixo assignados: Eu Raimundo Antonio de Freitas, Tabellião que a subscrevi e assignei de meos signais públicos e razo de que uzo. Em testemunho de verdade (estava o signal do publico). O Segundo Tabellião Publico, Raimundo Antonio de Freitas, José Alexandre Castello Branco, a rogo de Dona Francisca Alexandrina Castello Branco, Augusto Alexandre Castello Branco. Como testemunhas – Antonio Leopoldino de Brito, Francisco Pereira dos Santos. E pelo comprador me foi dicto que estava satisfeito com a venda que lhe era feita, e dava-se desde já por empossado do Sitio São Luiz e partes e elle annexas e todas as suas bemfeitorias, e por esse havia pago a siza como se vê de conhecimento o theor seguinte: Numero cento e quinze – Gomes – Colletoria do Município da Cidade de Baturité – transmissão de propriedade – Exercício de Mil oito centos e sessenta e oito a mil oito centos e sessenta e nove pholhas dezeseis do Livro de Receita fica lançada em debito ao actual colector a quantia de sete centos e oitenta mil reis que pagou o Senhor Coronel João Pereira Castello Branco e sua mulher os sítios denominados São Luiz, comprehendendo digo, na Serra de Sant’Anna comprehendendo as partes dos Sítios Sant’Anna e Castello, com todas as bemfeitorias n’elle existente. Município digo, com todas as bemfeitorias nelle existentes n’este município. Em vinte e um de janeiro de mil oito centos e sessenta e nove. O Colletor, João Lourenço Viriato de Vasconcellos, O Escrivão Antonio Gregório Thaumaturgo. Depois de escripta esta acta perante elles que reciprocamente a outorgarão, estipularão, se aceitarão e assignarão, e eu Tabellião como pessoa publica a outorgou a bem a bem dos mesmos, dos ausentes, e pessoas a que pertencer possa. Tendo a este acto presentes como Testemunhas – Francisco Pereira da Silva Junior, e José de Freitas da Costa. E a excepção e conhecidos de mim Raimundo Antonio de Freitas, Tabellião que a escrevi. Virgilio Augusto de Moraes. João Pereira Castello Branco, Francisco Pereira da Silva Junior e José de Freitas da Costa.

Emfé de Verd.e

Raimundo Antonio de Freitas.

Obs: com a valiosa colaboração de: Francisco Luiz Oliveira Nepomuceno (Xico Luiz).

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ESCRITURA SITIO SÃO LUIZ - PACOTI

Escriptura que fazem e assignão Luis Ribeiro da Cunha e sua mulher Dona Maria Carolina Vieira da Cunha, por seos procurador Floriano Vieira Perdigão, do Sitio Cana-brava em sima da serra, e as partes que comprarão aos herdeiros do finado Mathias Rodrigues d’Andrade e sua mulher, com as benfeitorias que nelle se a charem, feita ao comprador José Alexandre Castello Branco, pela quantia de trinta e dous contos de reis de que pagou a Siza correspondente como abaixo se declara. = Saibão quantos esta virem que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e cincoenta eoito, neste Sitio Santa Anna de Termo da Villa de Baturité Cabeça da Comarca da digo Baturité, em casas de residência de José Alexandre Castello Branco, a onde veiu eu Tabellião, e aos trinta dias do mes de junho do dito anno, edeu de ahi forão prezentes partes justas, havidas e concertadas, estipulantes e acceitantes, de uma como vendedores Luis Ribeiro da Cunha eSua mulher Dona Maria Carolina Vieira da Cunha, por seu procurador Floriano Viera Perdigão, e da outra como comprador José Alexandre Castello Branco, conhecidas de mim tabellião de que dou fé, epelo procurador dos vendedores foi dito em prezença das testemunhas abaixo assignadas que de hoje para sempre vender por parte dos constituintes o Sitio Cana-brava na Serra de Santa Anna com todas as benfeitorias que nella se achão, assim como casas, plantações, engenho de ferro, caldeiras, duas juntas de bois, moendas, e as partes das terras compradas dos herdeiros dos finados Mathias Rodrigues d’Andrade e sua mulher, cujos títulos os vendedores entregão ao comprador, não dando as estremas por estarem medidas no mesmo Sitio Cana-brava comprado a Feliz Antonio de Sousa Barros esua mulher, e a Manoel Gomes Barreto esua mulher, cujas estremas dignará o comprador na forma que se acha declarado nos respectivos títulos de compra que lhe são entregues por elles vendedores, cujas terras esuas benfeitorias vendem pela quantia de trinta e dous contos de reis que neste acto lhe foi entregue em letras pagáveis em prestações e recebidas por elle procurador dos vendedores, disse que porparte dos constituintes, desde já transfere no comprador todo o domínio, direito, acção, eposse que n’elle tinhão nu dito Sitio partes das terras esuas benfeitorias, elhe dá licença para com Authoridade dejustiça ordem della tome posse quando quizer do referido Sitio, partes de terras, esuas benfeitorias, ide a não tornar seos constituintes se constituírem em possuidores em nome do comprador. Disse mais que seos constituintes se obrigão afazerem esta venda boa e a defenderem ao comprador quando este os chamar a autoria, elogo me apresentou a procuração bastante de theor seguinte = Numero vinte e cinco Reis Cento iSessenta. Pagou Cento iSessenta reis de sello. Ceará vinte d’Abril de mil oito centos e cincoenta eoito. Gurgulino Raposo = Procuração bastante que fazem Luiz Ribeiro da Cunha, e sua mulher Dona Maria Carolina Vieira da Cunha. = Saibão quanto este publico Instrumento de Procuração Bastante virem, que no anno do Nascimento di Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos cincoenta eoito, aos vinte eoito dias do mês de junho do dito anno, nesta Cidade de Fortaleza Capital da Província do Ceará Grande ma casa de Luis Ribeiro da Cunha onde fui vindo eu Tabellião Publico, Senso ahi me foi presente o mesmo eSua mulher, bom conhecidos de mim Tabellião de que dou fé, epor elle me foi dito em presença das testemunhas abaixo assignadas que na milhor forma via de direto Constituem por seos bastantes procurador a Floriano Vieira Perdigão, Antonio Francisco da Silveira Junior, João Pereira Castello Branco, e Marçal Gomes da Silveira, aos quaes dão poderes especiais para fazerem a venda de seo Sitio em Santa Anna na Serra de Baturité a José Alexandre Castello Branco, pela quantia de trinta e dous Contos de reis, com o prazo de um a oito annos com todas as condições especificadas na Carta d’ordem que escrevem elles Constituintes nesta data. E a elles insolidem ou a cada de per si dá poderes para que em nome d’elle Outorgante possa em qual quer juízo ou Tribunal d’este Império e Reino estrangeiro requere toda Sua justiça em todas as Suas causas presentes ou fucturas, receber dinheiro de quais quer mãos, Cofres, Thesourarias, depósitos públicos, eparticulares; podendo tratar de conciliações perante os Juizes de Paz respectivo para cujo fim lhe concede os mais amplos e illimitados poderes; fasendo citar, propor acções, libellos, recepções, embargos, Suspenções, e outros quais quer artigos, contrariar das provas, inquirir e contestar testemunhas, jurar decisória ou supletariamente na alma delle outorgante, e deixar este instrumento na alma das partes, assignar autos, requerimentos, protestos e termos, a inda o de confissão louvação Desistência, aVerbar a quem for Suspeito, e assignar os respectivos artigos, apellar, agravar ou embargar qual quer Sentença ou despacho, eseguir aquelles recursos a inda nas Superiores instancias, tirar Sentenças, requerer aexecução dellas, Segrustros, embargos, penhoras, arrematações, adjudicações, eposse, etodas as precatórias necessárias vir com embargos de terceiro senhor ou possuidor, sem juntar quais quer documento, e tonal-as receber; variar acções, intentar outras de novo, substabelecer esta ou usar d’ella. E tudo quer for feito cobrado por elle procurador e substabelecidos insolidem promette por firme evalioso por sua pessoa ebens, reservando para si a nova citação. De como assim o disserão assignarão com as testemunhas abaixo.
Eu Miguel Severo de Sousa Pereira, Tabellião Publico que o escrevi e assigno em publico e raso de que uso. Em testemunho da verdade. O segundo Tabellião Publico Miguel Severo de Sousa Pereira, Luis Ribeiro da Cunha, = Maria Carolina Vieira da Cunha, = Bernardo José Pereira = José Joaquim de Sousa Vinhas. = E logo pelo comprador José Alexandre Castello Branco, foi dito que acceitava a presente escritura pela mesma forma que lhe era passada, i me apresentou o bilhete de Siza de theor seguinte = Como procurador das Arrematantes dos Impostos geraes d’esta Villa e Município fico recebido a José Alexandre Castello Branco a quantia de um conto novecentos e vinte mil reis, de Siza correspondente a trinta e dous contos de reis por quanto comprou o Sitio São Luiz a Luiz Ribeiro da Cunha, eSua mulher, por ter recebido passo o presente. Baturité trinta de junho de mil oito centos cincoenta eoito. Silveira Junior. = Depois de escripta esta eu Tabellião ali perante elles que reciprocamente outorgarão, acceitarão e assignarão, e eu Tabellião a outorguei e acceitei em nome doa ausentes e pessoas a quem pertencer possa, sendo a tudo presentes por testemunhas Francisco José Rodrigues Santa Baia, e Manoel Antonio Nogueira, todos maiores da excepção, e conhecidos de mim Antonio Rodrigues de Moura. Tabellião que a escrevi. = Floriano Vieira Perdigão = José Alexandre Castello Branco = Francisco José Rodrigues Santa Baia = Manoel Antonio Nogueira = Nada mais se continha em dita escriptura i ao livro de Notas nu reposto, escrevi i assignei com meos signaes rasos de que uso Neste Sitio Santa Anna no mesmo dia, mez, e anno assima declarados. Eu Antonio Raulino de Moura Tabellião que oescrevi e assignei.

Em fé de Verd.e


Obs: com a valiosa colaboração de: Francisco Luiz Oliveira Nepomuceno (Xico Luiz).

Obs: Tenente Coronel Manoel Gomes Barreto, português, casado com Dona Maria Pessoa da Silva, casada em primeiras núpcias com Victoriano Correia Vieira, um dos fundadores da Barra do Sitia. Victoriano era irmão do Capitão-mór Paschoal Correia Vieira, que foi avô de Antonio Pinheiro Castelo Branco, bisavô de Manoel Felippe Pereira Castello Branco e tataravô de Alexandre e de João Pereira Castello Branco.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

FAMÍLIA "DO RÊGO FALCÃO" DE BATURITÉ

...
Ao sair da “minha pobre casinha” mirei quase defronte as casas dos Rêgo Falcão, comerciantes da cidade, relembrando as distintas famílias.
O Cel. Francisco do Rego Falcão e Da. Conceição Castelo Branco, irmã da Professora de piano Da. Edwiges, que ensinava de graça a minha irmã Alzira, sua afilhada.
O filho mais velho do casal era o Waldemar, que acrescentou um Cromwell no nome, chamando-se Waldemar Cromwell do Rego Falcão.
Agnóstico até certa idade, com o que entristecia Da. Conceição, mito religiosa, tornou-se depois bom católico. Influente advogado do Banco do Brasil, político, Chefe de Policia do estado, deputado federal, Ministro do Trabalho e Presidente do Superior Tribunal Eleitoral. Ainda exercia este cargo, quando viajou para os USA à procura de tratamento médico especializado, ali falecendo.
Waldemar mereceu da cidade de Baturité uma elevada homenagem póstuma. O Prefeito Comendador Ananias Arruda, deu o seu nome à antiga Praça João Ramos, constituída de metade da grande e antiga Praça Alfredo Dutra, convivendo atualmente as duas em simbiose.
No lado da Praça Waldemar Falcão contíguo à Rua Sete de Setembro, o Comendador erigiu um bonito pedestal de granito e sobre ele o busto de bronze do homenageado.
Outro filho, o Edgard – apelidado de “cabeça de manga”, desde criança mostrava pendor para o comércio, tendo prosperado muito e emigrado. Outro – o Oscar, era uma rapaz muito moderado e estudioso. Foi representante no Estado da Bahia da grande empresa Bayer. Já é falecido, outro ainda – o Fernando, foi presidente do extinto Instituto Nacional do Sal. Por intermédio do Ministro Waldemar, requisitou-me ao antigo IAPI para servir no seu Instituto como Inspetor, função que exerci no Maranhão, chefiando dois fiscais. Tinha finalmente o Edmilson, promotor de Justiça, falecido no Rio, há um decênio.
Entre as filhas relembro a Dinorá, hoje viúva, técnica de educação, aposentada como Inspetora de Ensino do Ministério da Educação e Cultura: a Suzete e a Rosely.
Elas formavam um excelente trio que nas festinhas caseiras, em atraentes serestas, deliciavam os convidados e o numeroso “sereno”.
O piano de Dinorá exercia sobre mim uma influência a uirapuru e muito me embeveciam os cantos e recitativos das outras. Parece-me estar vendo a Rosely, ligeiramente estrábica e muito bonitinha, cantando em 1912, acompanhada pela Dinorá:

Recordo-me querida
Risonha e prazenteira
Qual vi a vez primeira
O meigo rosto teu.
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Waldemar era casado com Da. Ademir Ribeiro, colega interna de escola de minha mulher Delcarlina Araripe. Era filha do Cel. Abel Ribeiro, industrial e comerciante maranguapense; irmã do livreiro Humberto Ribeiro, um dos maiores futebolistas que o Ceará já deu.
.....


A outra família era a do Coronel Manoel do Rego Falcão, casado com Da. Isabel Parente Falcão, natural de Sobral, que faleceu viúva aos cem anos de idade!
O Coronel era comerciante, estabelecido na antiga Rua do Comércio, perto da Praça Santa Luzia, lado oposto ao Mercado.
Foi assassinado em frente ao seu estabelecimento, por ocasião de um tiroteio ocorrido juma baderna organizada por seus inimigos políticos, na qual tomaram parte saliente os baturiteenses Francisco Mendes e Júlio Severiano. A justiça nunca apurou devidamente esse crime, para punir os responsáveis.
O filho mais velho do Coronel era o Edmundo, que sempre foi muito meu amigo desde a infância até há alguns anos quando faleceu aqui no Rio de janeiro. Foi funcionário do Banco do Brasil, nomeado em 1923, em Fortaleza.
Era casado com Da. Laura Ribeiro Falcão, filha do Sr. João da Mata Severo e Da. Amélia Ribeiro Severo, quixeramobienses. Tinha três filhos – Armando, Maria Laura e José.
O Armando – ex-Ministro da Justiça pela segunda vez, é tabelião no Rio de Janeiro; foi herdeiro de uma grande fazenda em quixeramobim, do espólio de seu avô materno, faro que os baturiteenses muito lastimam porque ele com essa fazenda como segunda residência, tem concorrido para o progresso da cidade, com sua operosidade e recursos financeiros, deixando de prestar a sua valiosa ajuda à cidade de Baturité, reduto das famílias Rego Falcão.
O Segundo filho foi o Francisco, representante no Ceará da grande organização Singer que dirigia de Fortaleza, onde faleceu.
O terceiro – Dr. Rubens do Rego Falcão que tenho a honra e o prazer de incluir no número dos meus amigos, reside em Niterói. È advogado, jornalista, técnico em educação e escritor, com diversas obras publicadas. Tem prestado valiosos serviços à Alta Administração do Estado do Rio de Janeiro, tanto na Educação como na Justiça. Foi duas vezes Diretor de Ensino e, por último, Secretário de Educação e Cultura. Aposentou-se quando exercia com brilhantismo o cargo de Consultor Jurídico da Secretaria do Interior e Justiça.
Rubens não descura das atividades literárias e sociais. È membro qui no Rio, da Casa do Ceará e do Centro Clóvis Beviláqua, do Instituto Histórico de Niterói, do seu xará do Rio Grande do Norte e sócio correspondente do xará do Ceará.
Vieram em seguida, o Manoel, coronel reformado da Força Pública do Ceará, e José Nestor, Delegado do Trabalho, residente em Fortaleza, e Maria Esther, ex-funcionária da Secretaria de Agricultura, falecida.
.....
(Págs. 137 – 140)

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Numa casa desta rua morou o Dr. Alfredo de Oliveira, que tinha uma filha muito apreciada pela rapaziada, porque era muito graciosa e usava trajes que salientavam a sua elegância, como a silhueta do violão.
O Dr. Alfredo, Juiz Substituto influiu, dizem que decisivamente, e erradamente, para o arquivamento de um processo criminal relativo ao assassínio do Cel. Manoel do Rego, autoridade policial e vereador municipal, num motim organizado por seus inimigos políticos.
.....
(Pág. 148)

Mundim de Baturité (Traquinices e Traquinadas) – Raimundo Barros Filho. Jowil Editora e Artes Gráficas, Rio de Janeiro – 1987.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

PEDRO E JOÃO PEREIRA CASTELLO BRANCO

Estes dois irmãos, filhos de Manoel Felipe Pereira Castello Branco, nascidos em Baturité, receberam do Império, condecorações por relevantes serviços prestados.

João Pereira Castello Branco (Coronel), cavaleiro da Ordem Rosa.
Pedro José Castello Branco (Tenente-coronel), cavaleiro da Ordem de Cristo.

A Imperial Ordem da Rosa é uma ordem honorífica brasileira. Foi criada em 27 de fevereiro de 1829 pelo imperador D. Pedro I (1822 — 1831) para perpetuar a memória de seu matrimônio, em segundas núpcias, com Dona Amélia de Leuchtenberg e Eischstädt.
O seu desenho foi idealizado por Jean Baptiste Debret que, segundo discutido por historiadores, ter-se-ia inspirado ou nos motivos de rosas que ornavam o vestido de D. Amélia ao desembarcar no Rio de Janeiro, ou ao se casar, ou num retrato da mesma enviado da Europa ao então Príncipe.
A ordem premiava militares e civis, nacionais e estrangeiros, que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados ao Estado, e comportava um número de graus superior às outras ordens brasileiras e portuguesas então existentes.
De 1829 a 1831 D. Pedro I concedeu apenas cento e oitenta e nove insígnias. O seu filho e sucessor, D. Pedro II (1840 — 1889), ao longo do segundo reinado, chegou a agraciar 14.284 cidadãos. Além dos dois imperadores, apenas o duque de Caxias foi grande-colar da ordem durante sua vigência.

Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma antiga ordem honorífica brasileira, originada a partir da portuguesa Ordem Militar de Cristo, a qual por sua vez remonta à medieval Ordem de Cristo. Foi a segunda ordem imperial brasileira com mais titulares, logo atrás da Imperial Ordem da Rosa, e premiava tanto militares quanto civis.
O caráter religioso da Ordem residia também na necessidade da propagação e manutenção da Religião de Cristo a fim de “trazer a fé católica os idólatras e gentios” que em grande número ainda existiam no país. A Ordem de Cristo foi a condecoração mais concedida por D. João no Brasil: 3635 hábitos, 442 comendas e 7 grã-cruzes num total de 4084 mercês. Já durante o reinado de D. Pedro I foram 2630 as ordens concedidas.
A chancelaria que cuidava dos registros da ordem pertencia ao Ministério do Império. Destituiu-se de seu caráter religioso por meio de decreto de 9 de setembro de 1843. Foi extinta após a proclamação da república, juntamente com a maioria das ordens imperiais.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MANUEL DO RÊGO FALCÃO

Um Olhar Sobre o Passado
sábado, maio 30th, 2009

Na última semana de janeiro de 1912, Baturité viveu a rebelião mais radical e violenta da sua história: uma revolta simultânea à queda de Nogueira Acioli o oligarca, que governava o Ceará há mais de um lustro.

A cabeça da oligarquia, em Baturité, era o intendente coronel Alfredo Dutra, dono do GRUPÃO, espécie de partido político que possuía banda de música e jornal - O MUNICÍPIO. Na lei, o braço-de-ferro de Acioli era Manoel do Rego Falcão, delegado de polícia, que “tanto pela força do prestígio quanto pelo prestígio da força” ampliava o despotismo no maciço, porque, naquele tempo, o cidadão, para votar, precisava de certidões passadas pelo crivo do chefe policial, regra que tiranizava a vida do eleitor indefenso.

Com a capital em combustão, a insurreição baturiteense saiu de uma facção do Partido Republicano, denominada GRUPINHO, que também possuía uma charanga e um jornal o OITENTA E NOVE.

Tudo começa quando o telégrafo recebe a notícia de que as camadas médias de Fortaleza se aliam aos militares e dão um basta ao déspota. Dessa forma, o tirano renuncia. Em seguida pega um vapor para o Rio de Janeiro.

De boca em boca, célere a notícia rolava por toda esquina.

Os músicos do Grupinho ao tomar conhecimento do diz-que-diz difundido por todo canto, de imediato, chegavam ao bilhar com os seus devidos instrumentos. Logo uma concentração superlotou o anexo do bilhar - um botequim, paraíso dos que não tinham o que fazer ponto inicial dos cortejos, entrudos carnavalescos, das queimas de Judas e de outras gozações como o casamento da ‘’Pinca Julia’’.

Chico Mendes e Julio Severiano, os dois genros do coronel Raimundo Maciel, sendo o primeiro, sobrinho do major Pedro Mendes, organizam uma passeata em desagravo ao GRUPÃO.

À batida do bombo a charanga descerra um dobrado. O som da música engrossa a aglomeração que se prepara para uma marcha pelas ruas da cidade. A multidão, em desfile, passa em frente às residências das famílias mais tradicionais: Ramos, Pinto, Gonçalves, Mota, Maciel, Braga, dentre outras.

Barulhento, o bando, com um fogueteiro à frente, antes de atingir a Praça Santa Luzia, em invectiva, pára para discursos em frente ao armazém do delegado Manoel do Rego Falcão, ali mesmo na Rua do Comércio, hoje 15 de novembro, antes da Praça Santa Luzia, lado oposto do mercado, onde discricionária e inexplicavelmente também funcionava a delegacia de polícia. Por muito tempo senhor da situação para o delegado, que há tempo dominava com mão de ferro o poder discricionário, aquele movimento era insuportável.

Estando em casa, não se contendo, o valente delegado pega o “papo amarelo” e sai em direção à rua. Da porta do armazém, ouve alguém da multidão chamá-lo de bandido. Neste momento ele aciona o rifle. A bala engasga na agulha… Não detona. Em ação continuada, ouvem-se dezenas de disparos. Todos para o ar. Nenhuma pessoa é acertada… Logo após, um balaço solitário alcança o valente coronel, que atingido no pescoço tomba morto. (Falcão, Armando. Tudo a Declarar.).

Calou-se a música, cessou-se o pipocar de foguetes, acabou-se a algazarra. Enquanto alguns pararam para reverenciar o ilustre morto, a maioria prossegue cadenciada, mas em silêncio, no rumo da Praça da Matriz, chegados em frente ao prédio da Intendência – hoje prefeitura – o povo revoltado derruba Alfredo Dutra do poder.

A vontade popular se completa quando o mesmo o povo aclama para intendente municipal, o farmacêutico Joaquim Mattos, um homem moderado, de atitudes superiores, sem radicalismos, anverso a inimizades, portanto a pessoa certa para conduzir a população naquele momento de ruptura com o passado político do município.

"maninhodobaturité.com,br"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

JÚLIO SEVERIANO DA SILVEIRA E MANUEL DO RÊGO FALCÃO

Um Certo Cabo Naurício
novembro 17th, 2009 - Publicado por: Maninho

A SUSPEIÇAO

A Revolução de 1930, distanciada do ideário tenentista, nomeou o civil Fernandes Távora primeiro interventor do Ceará. Desses que distribuem os privilégios do cargo de acordo com os interesses clientelistas, o dito, tradicional politiqueiro, também fazia uso da intransigência para acusar e perseguir aos que não rezavam pelos “estatutos” de sua facção política.
O diminuto período de oito meses em que esteve à frente do governo só lhe serviu para acossar, desarmar, prender e reabrir processos criminais esquecidos no tempo, principalmente, é claro, quando os incriminados não pertenciam seu grupo oligárquico.
Para falar a verdade, além de prejudicar os outros, tal interveniente nada realizou.
Sem mostrar a cara, em Baturité, ele resolve jogar duro com dois líderes da passeata de janeiro de 1912, durante a qual o delegado Manoel do Rego Falcão, foi morto com um tiro no pescoço. Um crime, perpetrado há justos dezoito anos, sem solução, por absoluta falta de provas da autoria.
Como as aparências do delito respingavam suspeição nos cidadãos Júlio Severiano da Silveira e Francisco Mendes Machado os dois não escaparam da sanha do justiçoso.
Vítima de pistolagem, Julio Severiano da Silveira enquanto bebia no bar do cinema local foi alvejado por um tiro que Antonio Ramos, arrendatário do referido bar, lhe deu à traição. Durante muito tempo prostrado pelo balaço que o atingiu na coluna, Julio, nunca mais se levantou. Depois de sua morte a viúva, dona Honorina Maciel Severiano, renunciando aos recursos familiares, mudou-se para Fortaleza, onde conseguiu, a duras penas, com o suor do seu rosto, educar seus filhos, Dr. Lauro Maciel Severiano e Laysce Severiano Bonfim.
O infortúnio de Francisco Mendes Machado saiu da caneta do implacável interventor: foi exonerado do emprego de Coletor Estadual.
Inapto para o comércio, depois da exoneração Chico Mendes, como era conhecido, fracassa como lojista e, em seguida, como dono de caminhão de cargas, dois negócios montados com a fiança do tio major Pedro Mendes Machado.
Depois de passar maus bocados em Baturité, pai de grande família, Chico Mendes só consegue, mesmo, ter uma vida digna quando se muda para Fortaleza, ocasião em que os sete filhos vão se acomodando em diferentes atividades de labor, principalmente, com a orientação da mãe Noemi.


Baturité - Praça Santa Luzia, Lado do Sol
janeiro 27th, 2010 - Publicado por: Maninho

Honorina Maciel Severiano, nascida em 1886, esposa de Julio Severiano da Silveira, (1884-1923), o ativista político que em 1912 organizou a passeata para comemorar o fim da oligarquia (1896-1912) de Nogueira Acioli. Em determinado momento dessa caminhada o delegado Manoel do Rego Falcão foi morto com um tiro no pescoço. Acusado de autoria do disparo Julio Severiano foi submetido a processo arquivado por falta de provas. Apesar de inocente, anos depois Julio Severiano foi justiçado com um tiro, à traição, que o deixou prostrado por muito tempo. Júlio e Honorina, enquanto casados moraram no anexo vizinho ao sobrado. (Sobrado dos Mácieis).
Site: www.maninhodobaturite.com.br

Obs: Apesar de opostos politicamente, Manuel do Rego Falcão e Júlio Severiano da Silveira, tinham ligações familiares. (Marcus Silveira Castelo Branco).

FRANCISCO DO RÊGO FALCÃO FILHO

RETIDÃO E AMOR FRATERNO

Francisco do Rego Falcão era o terceiro filho de uma irmandade de doze e atendia pelo carinhoso apelido de Chiquinho. Nasceu em 1855 no Aracati, assim como os demais irmãos.
Valdemar, seu filho, foi Ministro do Trabalho no Governo de Getúlio Vargas, na década de 1930. Os outros irmãos eram: Antônio, nascido em 1850; Rosa, em 1852; João, em 1857; Maria Joanna, minha avó, em 1858; Joanna, em 1859; Manuel, em 1860, avô do Armando, que foi Ministro da Justiça no Governo Geisel, na década de 1970; Justino em 1862; Benvinda em 1863; Felícia, em 1864; Rosa em 1865 e José em 1866.
Duas irmãs com o mesmo nome? Sim. Os primeiros filhos são do primeiro casamento com Da. Ernelinda Fernandes, que morreu na terceira gravidez. A Rosa, que nasceu em 1865 era filha da segunda esposa, Dona Ana Ribeiro de Almeida, nascida em Cascavel. Uma era Rosa Fernandes do Rego Falcão, conhecida por Rosinha e a outra era Rosa do Rego Falcão.
Todos os doze irmãos herdaram do pai a delicadeza, a afabilidade que não desce à bajulação, o caráter reto e firme, a capacidade de trabalho, a honra da palavra, o orgulho, o pouco riso (o gargalhar raro e baixo). Incrível, mas as mulheres também eram assim e isso se transmitiu para outras gerações, pois minha avó Maria Joanna, meu pai e sua irmã Maria também apresentavam esse mesmo comportamento.
Aos trinta anos, Chiquinho, após pesar os prós e os contras, chegou para os irmãos e falou:

- A Estrada de Ferro Baturité foi inaugurada e está funcionando. Em toda cidade onde termina uma linha de trem corre muito dinheiro; vou-me mudar para lá. Se alguém quiser ir comigo, é melhor resolver logo.

Os irmãos José, Manuel, Justino resolveram acompanhar Chiquinho. Foram os quatro, e lá se estabeleceram no comércio local, porém sem concorrerem entre si. Francisco e José tornaram-se sócios em uma loja de tecidos e depois constituíram família. Manuel e Justino, como sócios, estabeleceram-se no ramo de secos e molhados – compra e venda de café em grãos, milho, arroz, feijão, farinha, rapadura, fumo de rolo, bebidas, etc. – em grosso e no varejo. Ambos também constituíram família.
Maria Joanna do Rego Falcão, que ficara em Aracati, casou com o também aracatiense Manuel Fernandes de Carvalho, em 1883, e com ele teve três filhos: Eduardo (Eduardim), Maria (Mariquinha) e Rosa (Rosinha).
Em 1900, Manuel morre repentinamente, deixando a viúva e os filhos desorientados.
Mandaram um telegrama para o irmãos Chiquinho, pedindo para comunicar aos outros irmãos o luto. Poucos dias depois chega o irmão Francisco amenizando, com a sua presença, a aflição familiar. Agindo rápido, ele descobre que Manuel deixara um seguro e pressiona para que seja pago logo. Conseguiu. A Viúva recebe o que tinha direito e Francisco fala para a irmã:

- Fique com uma pequena quantia, para as despesas com o sustento nos próximos dois meses. Levarei o restante para fazê-lo render e, de dois em dois meses, mandarei dinheiro para a manutenção de vocês. Não se preocupe.

Procedeu como prometera durante vários anos. A viúva e seus três filhos aprenderam a lutar pela sobrevivência com parcimônia nos gastos, mas sem avareza.
Quando Maria Joanna avisou, por carta, que o seu filho Eduardo já estava empregado e a situação financeira em equilíbrio, Chiquinho foi a Aracati e mostrou, explicando, toda a contabilidade registrada desde o recebimento do capital inicial, os rendimentos e as retiradas bimensais. Do que sobrou, Francisco comprou uma casa para a irmã, em Aracati, entregando-lhe o restante.
A casa adquirida para a irmã, é a que foi tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional, por se tratar de prédio antigo, com fachada de azulejo azul e branco, importado de Portugal no século XIX. Está localizada na Rua Cel. Alexanzito nº 712, como se vê na foto ao lado. Foi ali que nasci em 1928, eu e mais cinco irmãos. Somente os dois mais novos nasceram em Fortaleza.
O grande líder negro americano, Martin Luther King, várias décadas depois disse: “Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e retidão como um caudaloso rio”.
Eu também posso dizer que este meu Brasil, onde alguns têm vergonha de dizer que são honestos, não conheço registros históricos reais como os que foram vividos por esses meus antepassados, quando vimos correr um caudaloso rio de retidão e amor fraterno!

FONTE - Aracati: o que pouca gente sabe – Leônidas Cavalcante Fernandes – ABC Editora, 2006.

domingo, 31 de janeiro de 2010

FRANCISCO DO REGO FALCÃO FILHO

Maria Conceição Castelo Branco Correia Lima do Rego Falcão

Nascida em Baturité a 19/02/1872 e falecida no Rio de Janeiro a 29/12/1954.
Casou-se em Baturité com o Coronel Francisco do Rego Falcão Filho, nascido em Aracati a 02/04/1856 e falecido em Fortaleza a 24/12/1912, filho de Francisco do Rego Falcão e de Ana Rosa Falcão.
O Coronel Francisco do Rego Falcão Filho era comerciante, possuindo uma loja de tecidos na Rua do Comércio (Rua 15 de Novembro, Rua esta onde também morava, na casa defronte ao nº 1.000). Vereador de 1892 a 06/1896 assumiu por renúncia de Joaquim de Alencar Matos. Vereador de 1896 a 1900. Vereador de 1900 a 1904. Vereador de 1904 a 1908, renunciando seu mandato em 06/21905.

Imóveis 1900-1902:

Rua 7 de Setembro.
Rua 15 de Novembro.
Rua 1º de Março.
Travessa da Raposa.

Pais de:

José Edgard do Rego Falcão
Francisco de Sales do Rego Falcão
Waldemar Cromwell do Rego Falcão
Dinorah Falcão de Holanda Cavalcante
Edgard do Rego Falcão
Fernando do Rego Falcão
Suzete Falcão de Moura
Oscar do Rego Falcão
Roseli Falcão Pinheiro
Olavo Ibsen do Rego Falcão
Edmilson Renato do Rego Falcão
Ilnah Falcão Borges de Medeiros
Zilmar Falcão Soares
Maria Stela do Rego Falcão
Francisco do Rego Falcão Filho


Waldemar Cromwell do Rego Falcão
Nascido no dia 25/01/1895 em Baturité.
Eleito Deputado Federal Constituinte após a Revolução de 1930, nas eleições realizadas a 03/05/1933, quando como membro da Assembléia Nacional Constituinte, participou na Elaboração da nova Constituição Federal de 1934.
No Pleito de 14/10/1934, foi reeleito Deputado Federal. Nas Eleições Indiretas para Governador e 2 Senadores, foi escolhido Senador da República para representar o Estado do Ceará no Congresso Nacional.
No advento do Golpe de estado de 10/11/1937, foi nomeado pelo Presidente Vargas seu Primeiro Ministro do Trabalho.
Foi Ministro do Supremo Tribunal Federal e Presidente do Superior Tribunal Eleitoral.
Casou-se com Dona Ademir Ribeiro Falcão, nascida a 23/09/1900 e falecida a 17/09/1988, filha do Coronel Abel Ribeiro, industrial e comerciante de Maranguape, e de Mercedes Ribeiro.
Falecido em Boston, Estados Unidos, 12/12/1946, sepultado no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

PEDRO JOSÉ PEREIRA CASTELO BRANCO

A Prisão de Cazuzão

Conforme a tradição familiar, Cazuzão era primo de Pedro José Pereira Castello Branco, (Pedro Cru), e proprietário de fazendas de criação de gado na região de Tauá. Homem tosco criado de conformidade com as adversidades do sertão, achava-se senhor de tudo, até da vida das pessoas.

Em certo dia, um menino, filho de um morador, comia pequenas porções da farinha, que se assava no forno de sua Fazenda. Cazuzão vendo aquilo, encheu-se de ira e perdendo completamente a razão, ordenou que a criança, fosse jogada dentro da fornalha que aquecia o tacho que servia para cozer a farinha, causando-lhe a morte.

A maldade deste ato causou tamanha repercussão em toda a Provincia do Ceará, e no Imprério, que ordem para a prisão de Cazuzão, foi emitida pela Corte Imperial.

Mas quem se atreveria a cumpri-la?

Pedro Castelo, (Pedro Cru) então Delegado de Tauá, prontificou-se a obedecer à ordem.

Dirigiu-se para a Fazenda de Cazuzão com sua tropa. Este sabedor do intento de Pedro Castelo, embrenhou-se na mata, de modo que se desconhecia o seu paradeiro.

Depois de alguma pesquisa, Pedro Castelo encontrou um casal de velhinhos que disseram que se ele lhes garantisse a vida, indicariam o esconderijo de Cazuzão. No que foram prontamente atendidos.

O Velho pediu que Pedro Castelo o seguisse pela Caatinga, e após alguma caminhada ao chegar numa clareira que havia na mata, bateu o pé no chão, e disse que debaixo do chão estavam Cazuzão e seus homens escondidos.

Pedro Castelo, percebeu que o solo de fato era uma cobertura de um buraco, engenhosamente camuflado com folhas onde Cazuzão e seus homens se escondiam. Perfurou, portanto, em algumas extremidades e apontado seus rifles, gritou para Cazuzão, que ali estava seu primo Pedro Castelo para prendê-lo.

Cazuzão não tendo alternativas, rendeu-se.

Uma coisa era prendê-lo, outra era tirá-lo de Tauá. Sua família detinha a posse de vastas possessões de terra, por onde teria de ser escoltado até Fortaleza. Ademais, uma das irmãs de jurou que ele não seria levado.

Pedro Castelo então com artimanha, amarrou seu primo e o pôs à frente de sua tropa, ordenando aos soldados que marchassem em formação, e apontassem seus rifles para a cabeça do preso, e que ao primeiro sinal de tentativa de soltá-lo, que se atirasse em sua cabeça.

Saíram de Tauá e pusseram-se em marcha, atravessando o pátio da fazenda da irmã de Cazuzão, que embora tivesse vários homens fortemente armados, nada puderam fazer para não colocar em risco a vida de seu irmão.

Desta maneira, pode Pedro Castelo, conduzi-lo acorrentado a Fortaleza de onde seguiu para o Rio de janeiro, então, Capital do Império. Sendo por seu ato de coragem condecorado pelo Governo Imperial.

Anos após, em Baturité, na residência do então Coronel Pedro Castelo, chegaram 2 oficiais da Marinha que o procuravam. Para uma mãe trêmula, identificaram-se como filhos de Cazuzão. A Mãe achava que era em busca de vingança que aqueles homens procuravam a Pedro Castelo, que não se encontrava na ocasião.

Os homens procuraram acalmá-la, dizendo que estavam ali para expressar a gratidão pelo ato de Pedro Castelo. Eles agora com suas famílias viviam bem, tinham postos elevados na Marinha, e entendiam que tudo isso só tinha acontecido pelo destemor do primo de seu pai, não guardavam mágoa.

Assim o cumprimento da Lei levou auquele homem a prender seu próprio primo, mesmo não contando com o beneficio maior que faria, que era dar condições aos seus familiares de abandonar a então vida rude que tinham no sertão, estudar e adotar um modo de vida diferente, que encheu suas vidas de dignidade”.

Em muitas outras ocasiões, Pedro Castelo (alcunhado de Pedro Cru), mostrou destemor. O que provavelmente o expôs a doença cardíaca que acabou ceifando sua vida aos 58 anos de idade.

FAMILIAS DE BATURITÉ E SUAS RAMIFICAÇÕES

FAMILIAS DE BATURITÉ E SUAS RAMIFICAÇÕES
(Jornal A Verdade nº 3.017 11-12/1991.

Vinicius Barros Leal – (do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras).

III – Família Castelo Branco

A família Castelo Branco não foi das primeiras a chegar em Baturité, mas ali já se encontrava no começo do século XIX. Veio de Quixeramobim, onde estava instalada com fazendas de gado.
O Patriarca do Clã foi o português Tenente Cel. Matias Pereira Castelo Branco, natural de Viseu. Vindo solteiro para o Brasil e aqui chegado nos anos trinta do século XVIII. Casou na Ribeira do Jaguaribe com Emereciana Barbalho, descendente dos Correia – Vieiras, gente das mais abonadas da região.
O casal fixou-se nas terras da família que eram muitas, abrangendo fazendas e currais nas margens do Sitiá e do Quixeramobim.
Desse casamento nasceram onze filhos que por casamento se entrelaçaram com muitas outras famílias de criadores da mesma região. Os Pimenta de Aguiar, Saraiva Leão e Leitão foram os que mais constituíram união com os Castelo Branco.
Para Baturité e sua serra dirigiram-se os interesses da família, em vista da boa qualidade das terras propícias para a agricultura e também pela necessidade que tinham de possuir pastos salvadores dos grandes rebanhos, nas freqüentes e temíveis estiagens.
O Tte. Cel. aparece cedo nos registros eclesiásticos, testemunhando casamentos, apadrinhando filhos de serranos e também, nos deveres cívicos.
Dos filhos do Coronel o que mais influência teve em Baturité foi o Capitão Antonio Pereira Castelo Branco, nascido em 1772 e casado com D. Francisca Maria Leitão. Foram muitos os filhos deste casal, alguns participando ativamente da vida local, especialmente o Coronel Manuel Felipe, que casou em Baturité, com Isabel Gomes da Silveira. O sogro de Manuel Felipe, era um verdadeiro potentado, com muito prestigio político e social, o Coronel João Gomes da Silveira, filho do fundador da família Silveira, paraibano de Mamanguape, Capitão Luis Gomes da Silveira.
Manuel Felipe tinha um temperamento inquieto e envolveu-se nos principais acontecimentos locais, desde os movimentos revolucionários de 1817, 1821 e 1824. Esteve sempre na dianteira dos que se rebelavam e protestavam contra a situação corrente. Por isso, sofreu sérias conseqüências, minorizadas por sua habilidade e astúcia. Teve querelas e atritos com muitos elementos conservadores de seu mesmo partido, e brigou até com o respeitável vigário. Este, vingava-se, anotando nos livros de registros os apodos do truculento paroquiano. Sempre que era necessário referir-se ao nome de Manuel Felipe, o Sr. Vigário acrescentava a zombaria “Castelo no ar”.
Manuel Felipe, inteligente e de algumas letras, gostava de fazer versos de natureza política e divulgava-os como podia. João Brígido, em “Ceará–Homens e Fatos”, cita alguns. Um deles, tendo como mote “todo corcunda é malvado”, mexe com muita gente do Ceará inteiro, até com parentes do autor, residentes nos Inhamuns e ligados à importante família Feitosa.
Dos filhos de Manuel Felipe o que mais influência exerceu em Baturité foi o Tte. Cel. Pedro José nascido em 1818 e falecido em 1877. Este, foi de fato, o maior chefe político de Baturité no século passado. Muitas vezes presidiu à Câmara Municipal e faleceu Deputado Provincial. Tinha o apodo de “Pedro Cru” e foi casado com uma sobrinha, filha de seu irmão José, D. Teresa Antonia. Deste casal descendem muitos baturiteenses de projeção. Foram seus genros os comerciantes João Correia Lima, Balduino José de Oliveira, Porfírio Gurgel do Amaral, Francisco Bezerra de Menezes Soares, o professor Manuel Egídio da Costa Nogueira, desses casais sendo descendentes os Taumaturgos, Pinheiros, Falcões, Severiano Maciel, Paiva e Silva, Soares Arruda, Matos Brito e tantos outros. O ministro Waldemar Falcão, o advogado Lauro Maciel, Érico Paiva, o Cel. Mário Ramos, os irmãos Luiz e Carlos Soares Arruda são descendentes de Pedro José.
A família foi proprietária de sítios na serra, sendo as melhores glebas as que conservam os mesmos nomes de Salvaterra e Correntes, nas margens do riacho cruz, terras que se estendem até perto de Mulungú.
Os Alves de Carvalho também se ligam aos Castelo Branco. Outros filhos de Manuel Felipe originaram novas famílias, sendo Venâncio Castelo a que maior destaque teve, com propriedades de grande produção de café. Por sinal, foi o velho tronco familiar, Manuel Felipe, quem trouxe a rubiácea para a serra.
A família cresceu tanto que extrapolou as fronteiras municipais e estaduais. Não há, no entanto nenhuma ligação com a família do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, proveniente do Piauí onde se instalou o nobre lusitano que veio dirigir aquela Província.
Também de Manuel Felipe foi irmã D, Teresa Antonia que casou com o primo João Batista da Costa Coelho, e deste casal foi filho o Dr. Antonio Benicio, Juiz da Comarca, progenitor de grande e ilustre família conterrânea.
Manuel Felipe teve dois outros filhos, José Pereira e Alexandre, que muito concorreram para o povoamento da região, chefes que foram de novas famílias que se entrelaçaram com as mais tradicionais da região do maciço.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

FRANCISCO ACÉLIS SILVEIRA

DESILUSÃO

Ao meu filho: José Iramar Silveira

Já vês meu filho, como o tempo passa
e como assim te foge velozmente?
Inda tão pouco o teu pinho plangente
também vibrava ao canto dessa praça.

Hoje o teu carro para ir lá devassa
essa distância longa e deprimente ...
Não vês de perto a serraria em frente
branca da lua ou límpida sem jaça?

Sem ver a terra que meu ser abraça
hoje se pinho vejo a mesma praça.
Que te recorda os dias do presente ...

teus afazeres hoje no escritório.
E eu sem saúde aguardo o meu velório
entre tristezas e saudade ardente.

Fortaleza, 18/09/1979.
Francisco Acélis Silveira

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PAULO WALDEMAR FALCÃO

Paulo Waldemar Falcão
Alma de Papel Molhado

SAUDADE DE FILHO

(A meu pai Waldemar Falcão)

Se àqueles que partem deste mundo
Na sublime jornada à outra vida
Fosse dado sentir a dor no fundo
Do coração que fica em despedida

Eu quisera, meu pai, que Deus te desse
Na rápida visão de um só momento
O retrato da dor neste tormento
Na alma do filho que jamais te esquece

Mas se duro me foi o sofrimento
E o coração de mágoas se entristece
Elevo para os Céus neste momento

A imperecível glória do teu brilho
Na comoção sincera desta prece
No doce orgulho, meu pai, de ser teu filho!...

WALDEMAR CROMWELL DO REGO FALCÃO

Nascido a 25.01.1895 em Baturité-Ceará. Filho do Coronel Francisco do Rego Falcão Filho e de Dona Maria Conceição (Castelo Branco Correia Lima) do Rego Falcão. Deputado Federal, Senador, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Presidente do Superior Tribunal Eleitoral e primeiro Ministro do Trabalho do Brasil.
Sua Mãe, era filha de Anna Augusta Castello Branco Correia Lima (filha de Pedro José Pereira Castello Branco) e do Tenente João Correia Lima. Sobrinho das professoras Francisca Clotilde Castelo Branco Correia Lima e Maria Edwirges Castelo Branco Correia Lima.

terça-feira, 28 de abril de 2009

FAMÍLIA GOMES DA SILVEIRA

6 - ........Gomes da Silveira
Casou-se com Ricarda Gomes da Silveira.

Pais de:

6.1 – Coronel Honorato Gomes da Silveira
6.2 - Fustiniano Gomes da Silveira (Fatu)
6.3 – Vitaliano Gomes da Silveira
6.4 – Conrado Gomes da Silveira
6.5 – Antonio Gomes da Silveira

6.4 – Conrado Gomes da Silveira
Nascido em Redenção. Casou-se em primeiras núpcias com... Silveira.

Pais de:
6.4.1 – Teodoro Conrado da Silveira
6.4.2 - Esaú Gomes da Silveira

6.4.1 – Teodoro Conrado da Silveira
Casou-se em segunda núpcias com Francisca Silveira (Chiquinha).

Pais de:

6.4.2.1 - (?)
Casou-se com Socorro Silveira.

Pais de:

6.4.2.1.1 - Wanderley Costa
6.4.2.1.2 - Valdeglaucio Silveira

6.4.2 - Esaú Gomes da Silveira
Nascido em Redenção. Casou-se com Luiza Rodrigues da Silveira.

Pais de:

6.4.2.2 – João Gomes da Silveira
Nascido em Redenção, no Sitio Canadá . Professor. Casou-se com Adair de Freitas da Silveira.

Pais de:

6.4.2.2.1 – Larissa Emilia de Freitas da Silveira
6.4.2.2.2 - Carlos Ernesto de Freitas da Silveira

6.4.2.2.1 – Larissa Emilia de Freitas da Silveira
Nascida em / / . Enfermeira da UFC. Casada com .... Ponte. Após casada passou a Chamar-se Larissa Emilia de Freitas da Silveira Ponte.

6.4.2.2.2 - Carlos Ernesto de Freitas da Silveira
Nascido em / / . Casado com .... Beserra da Silveira.

Pais de:

6.4.2.2.2.1 - Ana Lara Beserra da Silveira.

Obs: Preciso de ajuda para atualização e correção de dados. Fico grato por toda a informação que poder ser transmitida.

Tenho localizado alguns prédios que foram construídos pelo GOMES DA SILVEIRA, em Baturité no século XVIII, acho que seus descendentes deviam procurar conhecê-los e preservá-los.